O conhecimento é como uma enorme escada de madeira rangente e com alguns degraus faltando dificultando o seu caminho. E quando você finalmente pensa que chegou, você acaba de começar desde início.
O meu caso foi exatamente esse.
Em toda a minha vida eu vi de tudo, conheci de tudo, toquei em tudo, falei de tudo, acompanhei tudo. Era o que eu achava. Eu já havia visto diversas coisas, como guerras, batalhas, amor, compaixão, filhos se voltando contra pais e pais se voltando contra filhos e inimigos virando grandes amantes. Vi o mundo em diversos estados e em situações inimagináveis, em que você, no conforto de sua casa e no entretenimento de sua TV nunca sonharia. Eu jurava que nada mais me surpreenderia mais.
Eu era experiente em tudo o que já fizera nada era mais novo a mim, nada me surpreendia; nada mais me assustava. Todos os meus medos estavam enfrentados, todas as minhas dificuldades superadas. Nada poderia me abalar.
Eu já sabia de tudo, já conhecia tudo, já vira tudo, já presenciara tudo, durante toda a minha vida aprendi tudo o que um ser humano poderia saber de útil. Sabia desde os mistérios da matemática, os mistérios da vida, e os mistérios espirituais. Nada podia me enganar.
Eu era um exemplo, todos sonhavam em serem como a mim, estarem onde eu estava; fazerem tudo o que eu fazia, e se um dia conseguirem fazer um sétimo das coisas que eu havia feito seriam considerados heróis.
Era o que eu achava.
Ninguém ousara me desafiar alguma vez, ninguém tentara chegar a onde eu estou como meta, ninguém me ousava por medo, ninguém tentava ser como eu.
Quando tudo se pode fazer, essa semi-onipotência acaba criando limitações e várias privações. Eu era incapaz de compreender várias coisas que para as outras pessoas poderiam ser tão simples como ouvir, falar, respirar ou tocar. Eu era como um pássaro enjaulado, um falcão peregrino, com enormes asas prontas para planar, mas sem espaço para abri-las completamente.
Era quase como um tédio infinito, onde você não poderia quebrar as regras por não haver diversão nisso; onde toda a sua capacidade não poderia ser demonstrada, o seu talento; onde você poderia fazer tudo, não aconteceria nada.
Eu sentia a força percorrendo minhas veias, a energia capaz de explodir uma cidade, a inteligência capaz de resolver os problemas do mundo inteiro. Eu era capaz de mudar o mundo inteiro só com meus poderes. Porém a obediência não me permitia isso, não poderia fazer tudo isso. Ele não queria que nós ajudássemos de maneira direta a eles. Eu respeitava isso.
Várias oportunidades eu poderia ter mudado tudo, com apenas uma palavra como “Não faça isso” ou “É uma ótima idéia, cara”, mas o último que fez isso... bem. Ele sente o dolorido no bumbum até hoje do chute que meu irmão uma vez dera a esse alguém.
Eu sou Gabriel.
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